O JC publicou no dia 28.02.2011 importante aspcto histórico da atuação dos coroneis no Nordete na década de 1930 em diante. Foi o periodo áureo da cana-de-açucar, manifestação de um capitalismo desvastador do meio ambientel em Pernambuco e no Nordeste. Essa época foi bem retrada no Livro de Gilberto Freyre, na qual os rios, peixes e mata atlântica do litoral nordestino foram brutalmente afetados pela devastação para o plantio cultivo da cana-de-açucar. Como consequencia dessa atuação devastadora temos hoje uma paisagem de repleto desmatamento e rios completamente assoreados, como é o caso dos rios e riachos que formam a bacia hidrográfica do rio Goiana, no litoral norte do Estado de Pernambuco. Como se não bastasse as usinas de cana-de-açucar nessa região continuam com sua devastação, só que agora, plantando cana quase dentro dos rios, pois não há respeito a legislação ambiental para preservar os 15 metros, de um lado e de outro dos rios. Cadê o Secretário do meio-ambiente em Pernambuco, Sérgio Xavier, que não vê esta situação? E o Ministério Público que não ingressa com ação civil para proteção do meio ambiente? Onde está o IBAMA? O fato é que o poder econômico dos usineiros ainda é muito grande e os poderes públicos responsavéis pela aplicação da lei contra estas empresas e a obrigá-las recuperar as margens dos rios não exercem sua força estatal contra os usineiros. Pelo menos não se vê isto, nem se tem noticia de suas atuações.VEJAM A PUBLICAÇÃO ABAIXO:

Pernambuco - 09.10.11 - Atualizado às 18h58


19:02:13

Foco ambiental


Meio ambiente do Nordeste na visão de Gilberto Freyre

Publicado em 28.02.2011, às 12h26

Por Ricardo Braga  
Livro foi publicado pela primeira vez em 1937
Livro foi publicado pela primeira vez em 1937
Foto: Internet

Recentemente, li um livro de Gilberto Freyre, publicado pela primeira vez em 1937, que me deu a dimensão do seu pensamento sobre o meio ambiente do Nordeste brasileiro e de sua percepção da ecologia. Um termo, aliás, que, embora tenha sido cunhado em 1869, só começou a ser usado no Brasil mais de 50 anos depois, ocasião em que em Pernambuco estavam em plena atividade intelectual e formuladora de cientistas como Dárdano de Andrade Lima e Vasconcelos Sobrinho.

Do livro Nordeste – aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem, é possível fazer uma leitura sociológica, antropológica e ecológica da região, mesmo que a sua abordagem seja somente do Litoral e da Zona da Mata. De um Nordeste agrário e do açúcar, em detrimento de uma visão também do Sertão, considerado o “outro Nordeste” por Manuel Correia de Andrade, o do pastoreio pelo gado.

Gilberto Freyre viu no canavial um caráter civilizador, mas reconheceu ao mesmo tempo a sua dimensão devastadora do meio ambiente.



Mesmo não sendo um especialista na temática ambiental e considerando a época em que o livro foi escrito, ele contextualizou a mata, os bichos nativos e a água como personagens vitimados pelo modo de apropriação da terra e dos homens.

É certo que Gilberto Freyre viu no canavial um caráter civilizador, mas reconheceu ao mesmo tempo a sua dimensão devastadora do meio ambiente, desvirginando a floresta do modo mais cruel, com as queimadas, substituindo a diversidade pela monocultura absoluta, só restando “os ossos da mata”.

Nesse livro, denuncia que a cultura da cana aristocratizou o branco, degradou índios e negros e tornou desprezível a floresta. Diferente do que poderia se esperar de uma sociedade tipicamente rural, dessas que ainda se vê em alguns rincões na Europa, onde culturalmente ocorre uma relação de reciprocidade entre o homem e a natureza, aqui o homem e a mata sempre estiveram em estado de guerra.

Em sua visão, por isso os animais da mata eram encarados como inimigos do canavial civilizador, “espécie de última defesa da vegetação bruta contra a planta invasora”. Era tanta a aversão e até medo deles, que nem se tentou domesticá-los, sendo tangidos e mortos pelas queimadas e pela caça. Exceção só se fez a alguns, como o “papagaio falador”.

Uma evidência de que os bichos nativos pouco ocupavam o imaginário popular é que o jogo do bicho, tão popular no Nordeste, reflete sonhos com animais europeus.

Melhor destino não receberam as águas, apesar de que, de início, os rios tenham sido vistos como amigos a serem visitados e reconhecidos, onde os banhos, como no Capibaribe, curavam doenças e atraiam tanto moleques quanto sinhazinhas, num movimento de interação ao que chamou de “poetização da água pela gente dos canaviais e das várzeas”. Mas depois, salienta, vieram as usinas “com suas caldas, os transformando em mictório”. Por fim, as casas já não davam a frente para a água, “ficando de costas para o rio, com nojo”.

Quase cem anos depois, essa percepção parece ainda atual, embora os matizes da devastação e do uso insustentável dos recursos naturais já não se façam tanto pela cultura açucareira, mas por agentes muito mais diversificados.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

É neste sentido que digo que a história da exploração do capital sobre o meio ambiente, em Pernambuco, se repete, agora, sobre a onde do New-Coronelismo encabeçado pelo Eduardo Campos, apoiado pela cúpula dos dissicidentes dos coroneis que ocupam cadeiras na Assembleia Legislativa de Pernambuco, não respeita o meio ambiente e haja implantar projetos de usina nuclear, aterramento dos  mangues em Suape, sem respeitar a legislação ambiental. CHEGA DE IMPERIALISMO coroneslista! Antonio Cavalcante.

 

 

 

 

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