A sociedade mundial conjuga hoje um conjunto de crises que pode nos levar a pensar mesmo numa crise de civilização. Crise social: cerca de 1 bilhão de seres humanos passam fome hoje no mundo e o narcotráfico e a insegurança pública são um problema grave em praticamente todos os grandes centros do planeta. Crise econômica: experiências liberais ortodoxas e de modelos mistos, como estados sociais, ao longo do século 20, mostraram seu caráter estruturalmente excludente, incapazes de proporcionar um mínimo de dignidade humana ao conjunto da população mundial. Crise política e ética: a ditadura da economia de mercado definindo a sorte da sociedade mundial e presidindo as macro-relações de poder mostraram com nitidez que a corrupção, a imoralidade e a não-transparência são partes essenciais da ética do sistema capitalista.

Estas crises combinam-se no século 21 com uma grave crise ambiental. Se ao longo do século 20 as crises sociais, políticas, econômicas, e mesmo as guerras resultantes destas crises, tinham na retomada do crescimento econômico capitalista uma porta de saída, no século 21 a natureza já deu sinais claros de que não mais se submeterá à exploração anárquica do capital. O equilíbrio ambiental exige planejamento no uso dos recursos naturais do planeta. Sem planejamento não há desaceleração do aquecimento global, não há o fim dos desmatamentos e respeito aos nossos biomas. Sem planejamento, respeitando os limites da natureza, as catástrofes supostamente ambientais seguirão. Tudo isto combinado com fome, guerras urbanas, instabilidade política e flagrantes retrocessos no processo civilizatório.

É nesta perspectiva que nós, militantes socialistas, lançamos o Movimento Ecossocialista de Pernambuco. Compreendemos a luta ecológica como uma disputa política por um novo projeto de sociedade. Políticas sociais e política econômica subordinadas a uma ética solidária e coletiva. Participação popular no processo decisório como direito político coletivo a ser protegido e desenvolvido. Planejamento estratégico democrático do desenvolvimento social, buscando a construção de um processo histórico-pedagógico de massas que compatibilize de forma equilibrada os princípios de igualdade, liberdade e democracia, ao mesmo tempo buscando atender de forma satisfatória às dimensões de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Neste sentido, buscaremos propor, realizar e interagir de forma propositiva com todas as iniciativas que se coadunem com nossos objetivos estratégicos, em Pernambuco, no Brasil e em escala mundial, fazendo assim parte desta grande rede de organizações, pessoas e idéias que já desenvolvem alguma forma de luta política em torno desta plataforma.

Em Pernambuco, nascemos com o firme propósito de discutir em patamar distinto os rumos do desenvolvimento de nosso estado. Para tanto, faz-se necessário a mobilização social em torno da criação de uma Lei de Responsabilidade Socioambiental, que proteja na forma de políticas públicas os nossos biomas e nossos ecossistemas. No plano imediato, colocamo-nos frontalmente contra o aterro dos manguezais de Suape; em defesa do uso de energias limpas e renováveis, portanto, contra a instalação de usinas nucleares no Estado; em defesa de nossas bacias hidrográficas; em defesa da reforma agrária e da reforma urbana.

 

Somos Ecossocialistas!

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